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O topónimo
Armamar é anterior à Nacionalidade, parecendo tratar-se de um genitivo do
nome pessoal "Ermamarus", ou seja, "villa de Ermamari" que
alguns autores apontam como o fundador ou repovoador da vila rural de que
proveio a actual povoação. Em diversos documentos aparece com grafia
diferente, como é o caso de "Hermamar" ou "Ermamar".
A ocupação humana
no actual concelho de Armamar remonta a épocas ancestrais, bastando para
confirmar este facto, analisar a arqueologia local; o primitivo castelo de
Armamar parece confirmar isso mesmo, pois ao que tudo indica, corresponde,
na sua origem, a um castro. As lutas entre árabes e cristãos para a posse de
toda a terra de
Lamego tornaram, por certo, deserto o território de Armamar que voltaria
a ser povoado no século XII, por acção do nosso primeiro rei D. Afonso
Henriques.
O primitivo
assento da povoação era diferente do actual; pela análise de documentos e
factos históricos se depreende que a povoação que se tornou cabeça da
"terra", deveria localizar-se na actual freguesia de
Aldeias, sobre as chãs da Fraga da Pena. Assim se depreende que esta
deveria ser a "civitas" originária da cabeça da "terra" designada, na Idade
Média, "Ermamar".
Durante o século
XII, a "terra de Ermamar" perde a sua autoridade em algumas
povoações, como é o caso de
Fontelo,
Tões e Lumiares (na actual freg. de
Santa Cruz) que passam a Egas Moniz e seus sucessores, como comenda,
honra e couto, respectivamente;
Vila Seca saiu também e foi feito couto por D. Afonso Henriques para
Echa Martins "Mouro". Um outro factor que contribuiu para a referida perda
de autoridade foram as cartas de foro passadas a algumas povoações da terra
de "Ermamar". Assim, segundo as Inquirições de 1258, a autoridade da
vila e castelo de Armamar era exercida apenas nas actuais freguesias de
Armamar,
Aricera,
S. Romão e Aldeias.
A "Terra de
Ermamar", era muito mais reduzida em relação ao actual concelho, sendo
que as freguesias de
Queimada e
Queimadela eram do termo de Lamego, a de
Cimbres do de Tarouca; as de
S. Cosmado,
Goujoim e
Santo Adrião eram do termo de Leomil.
Eclesiasticamente,
apenas existia no termo de Armamar uma paróquia, a de S. Miguel do Castelo e
por essa razão as freguesias que aí apareceram depois (Aricera,
Coura,
Folgosa,
Santiago, S. Romão, Tões e Vila Seca), foram todas curatos de
apresentação do reitor de Armamar.
A vila de Armamar
foi cabeça de um condado, extinto logo no início da guerra da restauração,
em consequência da condenação à morte do jovem Conde Rui de Noronha,
envolvido na conspiração urdida pelo Arcebispo de
Braga, D. Sebastião de Noronha, seu tio, pelo Duque de Caminha e pelo
Marquês de Vila Real contra o novo rei D. João IV. O Conde de Armamar que
contava com 24 anos, foi degolado juntamente com os restantes conjurados, em
29 de Agosto de 1641, na Praça do Rossio em
Lisboa.
Por ter sido terra
doada ao Mosteiro de Santa Maria de Salzeda, em 1189, Armamar não teve,
curiosamente, foral antigo. A 3 de Maio de 1514, D. Manuel I deu foral novo
a esta vila e por decreto de 24 de Outubro de 1855, Armamar foi elevada a
cabeça de comarca. A área do actual município resultou de sucessivas
reformas administrativas que extinguiram os concelhos de Fontelo, Lumiares
(actual freg. de Santa Cruz) e S. Cosmado, hoje freguesias do concelho de
Armamar.
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